Que o povo brasileiro é apaixonado por cachaça, isso já não é mais nenhuma novidade. Por aqui, a branquinha é a segunda bebida mais consumida no país e a terceira no mundo. A bebida genuinamente brasileira vem conquistando o paladar dos apreciadores desde o século XVI, quando ainda era taxada como bebida dos pobres escravos. Hoje, a cachaça passou a ser consumida por todos, ganhando inclusive reconhecimento internacional.

A história é longa e a paixão por ela é grande. Por definição, cachaça é uma bebida alcoólica fermentada a partir do próprio caldo de cana ou de sua espuma. Apesar da simples definição, no Brasil existem mais de cinco mil marcas de cachaça, e como por aqui o pessoal é bem criativo, elas ganharam mais de 1.500 apelidos.

Entre eles podemos destacar: abençoada, branquinha, acaba-festa, meu-consolo, não-sei-quê, quero-mais, arrebenta-peito, azarenta, bicho-bom, birinaite, catinguenta, cheirosinha, carinhosa, enrola-chifre, mata-o-velho, sossega-leão, tira-frio, virgem-afamada, xixi de anjo, água-que-passarinho-não-bebe, amargosa, antibiótico, apetitosa, arranja-briga, a-que-matou-o-guarda, arranca-bofe, atitude, bichinha, birinaite, birusca, criminosa, goró, gororoba, pinga, pisca-pisca, talagada, katiassa, mardita, marvada, queima-pé e etc.

No dicionário, a palavra cachaça é definida como: 1. “Espuma grossa que se forma durante a primeira fervura do caldo de cana usado na produção de açúcar, e dele retirada, para servir de alimento (geralmente na forma de beberagem fermentada) ou para obtenção de bebida alcoólica; 2. bebida fermentada feita de borra (‘substância’) do caldo de cana, ou do cabaú (‘calda grossa’, e servida aos animais e aos escravos dos antigos engenhos; e ainda hoje, 3. aguardente obtida da destilação da borra do caldo de cana, ou do cabaú, ou do caldo de cana extraído especialmente para esse fim, após ter passado por processo prévio de fermentação alcoólica; aguardente de cana; 3.1. esse tipo de aguardente, quando produzido sob condições específicas e controladas quanto à matéria-prima, ao processo de produção (equipamento, fermentação) e ao resultado (teor alcoólico, impurezas e etc.). (HOUAISS, 2004)”

Foram cerca de 15 anos até definir o que realmente pode ser chamado de cachaça, mas no final de 2016, o governo brasileiro aprovou as regras de indicação geográfica da bebida brasileira. A medida foi estabelecida para preservar a integridade da bebida nacional e para evitar que outras aguardentes produzidas pelo mundo afora sejam reconhecidas como cachaça. Foi decretado que apenas a aguardente de cana, produzida no Brasil, dentro das regras fixadas no novo regulamento, pode ser rotulada como cachaça. A nova regra foi aprovada na reunião do Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (GECEX) que se reuniu no Itamaraty.